
Cultura Data Driven: o que é Data Driven?
Uma empresa data driven (data driven business) usa a análise de dados a seu favor ao direcionar o planejamento e tomar decisões mais efetivas por serem baseadas em informações relevantes e precisas (invés de apenas ser tomada com base no achismo).
Uma gestão baseada em dados avalia informações relevantes ao negócio para responder com mais precisão e velocidade as demandas do mercado, além de aprimorar seus processos.
No entanto, há um longo caminho (uma verdadeira jornada) para considerar a gestão de dados como parte do negócio e para garantir o alinhamento das iniciativas de Data Analytics aos objetivos organizacionais.
O maior desafio da mentalidade data driven está na cultura da empresa. Combinar análise de dados e objetivos de negócio requer que sejam coordenadas diversas atividades em diferentes departamentos dentro de uma empresa.
Cultura Data Driven: quais seus benefícios?

As empresas que perceberam o potencial dos dados já começaram sua transformação para uma cultura Data Driven (conduzindo inclusive, novos processos com essa cultura orientada por dados), investindo em estrutura e tecnologia para análise de dados e contratando profissionais especializados em Data Engineering e Data Science (importantes para trabalhar com Big Data).
Uma cultura data driven (quando adotada) se transforma em um modelo de gestão racional, organizando informações palpáveis, objetivas e relevantes para a empresa para fazer planejamentos e conduzir melhorias em processos, gestão e em ações como um todo.
O estudo da Oliver Wyman pressupõe que ao conduzir ações lideradas com análise de dados, as empresas experimentam crescimento de receita e ao mesmo tempo, geram maior lealdade do cliente, maior eficiência, além de menores riscos e perdas operacionais.
No entanto, por mais que saibamos que o potencial de uma cultura orientada a dados nas empressa é valiosíssimo, saber disso e implementá-lo são duas coisas muito diferentes.
Como as empresas estão implementando a cultura Data Driven?
Na realidade, muitas empresas que buscam a cultura Data Driven acabam fazendo muita coisa da forma errada: se apressam em mobilizar recursos em plataforma de Business Intelligence (BI) sem pensar antes na qualidade de seus dados, em como eles se encaixam na cultura e nos processos de uma empresa, muito menos no papel que desempenham na tomada de decisão e o impacto que tem em outros departamentos.
Existe uma frase conhecida de Matt Ariker, COO de Big Data Analytics da McKinsey & Company que diz:
“Como você se certifica de que os dados que obtém são dados bons e limpos? ‘Garbage In, Garbage Out’. Se existir lixo em um bom modelo de dados; o modelo em si não dá grandes resultados. Portanto, é mais do que apenas hardware, software, infraestrutura e aplicativos; são as pessoas e a governança de dados em torno disso que são essenciais. ” – Matt Ariker, COO, Big Data Analytics,
Raramente as empresas dão importância à quantidade enorme de dados às quais são expostas diariamente, muito menos tomam medidas e exercem controles de qualidade de dados para poder lidar com eles de maneira eficaz e ética.
Como implantar uma cultura Data Driven?

Primeiramente, tudo começa com algumas perguntas que as empresas devem fazer: “por que” e o “para que” precisamos de dados? As respostas a essa pergunta formarão toda a base de uma política de governança de dados.
Por exemplo, para a maioria das empresas, a necessidade de dados decorre de uma vontade de entender melhor seus clientes, de melhorar seu serviço ou desenvolver melhores ofertas de produtos. É a partir dessa vontade ou necessidade básica que elas podem começar a implementar sua estratégia para alcançar o Data-Driven.
3 passos importantes em gestão de projetos

Uma estratégia Data Driven em qualquer empresa pode ser dividida em três pontos fundamentais:
1. Analytics permeando toda a empresa: deve haver um empenho em conjunto em busca da cultura Data Driven. Para isso, será necessário implementar a estrutura correta na empresa. Uma aplicação que está sendo muito utilizada nesse contexto de Big Data e Data Analytics é o “design hub and spoke” (mais informações sobre esse conceito aqui), onde são integrados times de Business Intelligence e recursos de Data Analytics lado a lado (formando times ou squads) com equipes que aplicarão a análise de dados no dia a dia. É um conceito fácil de aplicar e que pode ser usado de várias formas, proporcionando imensas possibilidades aos negócios.
Crédito da Imagem: CEO Quest
2. Incentive os colaboradores interessados no Data Driven: aplicado de forma mais individual por cada indivíduo dentro das empresas. Aqui as empresas devem identificar quem está interessado e pensar em proporcionar incentivos para transformar aquele interesse por Data Analytics em bons resultados. Como líder de um projeto assim, devemos assegurar que os incentivos estejam alinhados com uma mudança em processo, hábitos dentro da empresa, uma nova forma de agir perante algum problema ou alguma mudança em processos que beneficiem não só a ele mas, todos os que vierem a adotá-lo.
Importante: meça os resultados e estabeleça rodadas de feedback. Afinal, todos precisam acompanhar o que está trazendo de valor e quais os resultados alcançados.
3. Não se esqueça do elemento humano: também é sempre importante ter muita empatia com o cliente, agregar pessoas à equipe de análise de dados com experiência em comunicação e outras áreas das ciências sociais é realmente útil. Essa capacidade de conectar dados com fatores humanos é muito importante para as empresas
Imagine uma loja online que está tentando recomendar produtos aos seus clientes, poder prever quais produtos um cliente comprará em algum mês do ano, observando as compras anteriores e o histórico de navegação, adicionando ainda uma visão de psicologia e comportamento de consumo faz muito sentido, não é mesmo?
Com esses três componentes em mente, as empresas acabam simplificando o entendimento da importância dos dados, identificando de onde estão vindo e como podem ser usados. Agora, o desafio é chegar em insights.
A ajuda de um Data Engineer ou Data Scientist na hora de transformar dados em insights
Mesmo que os dados estejam organizados, conforme mencionado acima, isso não garante um fluxo “lindo”, natural e automático de insights, ainda mais quando usamos dados desestruturados próprios do Big Data (é o caso das mídias sociais, por exemplo).
É aqui que entra o desenvolvimento das habilidades corretas de dados dentro da empresa é muito importante. Muitas dessas habilidades estão relacionadas com a aplicação de técnicas para coleta e tratamento de dados, como já postei um vídeo sobre o assunto aqui no Blog.
Um relatório de 2016 da CrowdFlower mostrou que 83 por cento das empresas lutam para compor verdadeiros times com as habilidades em Data e Business Inteligence que precisam. Sendo assim, é necessário que as empresas formem equipes com as habilidades certas para a condução da cultura Data Driven de forma precisa, acessível e integrada.
Construir uma estratégia Data Driven é um processo que requer muita paciência, mas vale a pena!

Implementar uma cultura orientada por dados em toda a empresa com a ambição de renovar tudo de uma só vez (estratégia, organização, análise, ferramentas, tecnologia…) pode ser árduo tanto para a gerência quanto para os colaboradores.
A cada dois programas de transformação feitos com essa ambição em mente, um fracassa. Por que? Muitas vezes porque não atendem às expectativas e com isso, não equilibra o P&L (profit & loss) e atrasam muito no cronograma.
Portanto, adotar uma cultura Data Driven considerando uma revisão completa dos sistemas e da Arquitetura de Dados para que todos respirem dados e Data Analytics requer uma paciência enorme e pode levar de alguns meses a alguns anos para gerar o retorno esperado.
Conclusão
Adotar uma cultura Data Driven se resume a duas coisas: Estratégia e Liderança.
Estratégia: as empresas precisam realmente incorporar a análise de dados em sua estratégia de negócios de forma a realmente colocar a análise de dados em busca da diferenciação da concorrência e da geração de valor para o seu segmento de mercado.
Liderança: Também precisam escolher o líder certo! Ter um executivo que represente a empresa e equipes de liderança que reconheçam a importância da análise de dados em cada departamento e unidade de negócios é extremamente necessário.
Como aprendemos nesse artigo, Data Analytics pode fornecer uma gama de insights às empresas sobre como os padrões de consumo estão evoluindo. Equipar-se com os profissionais que tenham as habilidades corretas também pode ajudar a atender as necessidades atuais e futuras, principalmente em meio à concorrência acirrada e todo o movimento de transformação digital acelerado pela pandemia.
Sem dúvida, houve e ainda está havendo um despertar nas empresas de todos os tamanhos e setores para a importância dos dados. Os próximos meses sem dúvida trarão ainda mais surpresas! Repensar suas operações para o futuro é tarefa para ontem e a cultura Data Driven é um caminho de sucesso.
Referências:





